Governo do Distrito Federal
16/03/22 às 15h11 - Atualizado em 16/03/22 às 15h39

Blue Talks: Embaixadas de Portugal e Quênia debatem clima e oceano em conjunto com ONU

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A chefe do Escritório de Assuntos Internacionais (EAI), Renata Zuquim, representou o Governo do Distrito Federal (GDF) em um evento realizado nesta quarta-feira (16) pelas embaixadas de Portugal e do Quênia, em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil. Chamado de Blue Talks, o debate tem cunho luso-brasileiro sobre temas fundamentais da atualidade, como o papel dos oceanos na regulação do clima.

 

O evento abre uma série de iniciativas de mobilização das embaixadas portuguesas nos preparativos para a II Conferência dos Oceanos da ONU (UNOC), que será realizada de 27 de junho a 1º de julho em Lisboa. Os anfitriões do encontro serão os governos de Portugal e do Quênia.

 

Para Renata Zuquim, as Blue Talks são de grande importância. “Essa parceria entre Portugal e Quênia, juntamente com a ONU, é fundamental para levantar as discussões necessárias a respeito do clima e dos oceanos em preparação para a UNOC. O Distrito Federal pode não ter acesso ao mar, mas o bioma do cerrado e o futuro socioeconômico de toda a região central do Brasil dependem fortemente do equilíbrio do ecossistema marinho”, destaca.

 

Sobre o evento, o embaixador de Portugal, Luís Faro Ramos, destacou que o encontro se trata dos oceanos, e mais. “Falaremos sobre água salgada, mas sem deixar de lado a água doce, que é tão importante quanto os oceanos e também está sofrendo com a crise climática”, comenta.

 

 

De acordo com o embaixador do Quênia, Lemaroon Kaanto, a primeira conferência oceânica da ONU, realizada em junho de 2017, levou a uma declaração de acordo intergovernamental sobre nossos oceanos e nosso futuro. “A declaração pedia ações concretas na revisão do declínio na saúde de nossos oceanos. Foi marcada por mil comunidades voluntárias feitas para apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 por nossa ampla gama de estudiosos”, informa.

 

Também se referindo ao ODS 14, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, afirma que a meta obriga a todos a fazerem um uso racional e sustentável dos oceanos. “A ‘economia azul’ é essencial para o crescimento e o desenvolvimento econômico, não apenas dos países costeiros, mas em todo o mundo. Há muitas atividades econômicas ligadas aos mares e oceanos e é preciso se atentar à utilização sustentável dos recursos marinhos. Essa segunda dimensão para além do clima, a econômica, também é essencial”, completa o ministro.

 

Políticas ambientais

 

Segundo a coordenadora residente do Sistema ONU no Brasil, Sílvia Rucks, os ecossistemas costeiros tornaram-se depósitos de águas residuais e nutrientes, criando vastas zonas mortas. “O lixo plástico está sufocando os mares, mas felizmente há sinais de esperança. No início de março, foi adotada no âmbito da Assembleia da ONU para o Meio Ambiente em Nairóbi, uma resolução histórica para acabar com a poluição plástica e forjar um acordo internacional juridicamente vinculado até o final de 2024. Essa resolução oferece uma chance de realmente fazer a diferença e mostra novamente o valor do multilateralismo”, relata.

 

No Brasil, também estão sendo tomadas medidas para reduzir a poluição plástica. Entre outras ações, o ministro de Estado do Meio Ambiente, Joaquim Leite, falou sobre o Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar. “É uma ação que vem acontecendo desde 2019. Já são 400 mutirões que aconteceram com 33 mil voluntários, recolhendo 540 mil itens do mar. Desses, 308 mil eram plástico”, lamenta.

 

No âmbito da União Europeia (UE), a chefe da Delegação Adjunta, Ana Beatriz Martins, citou a “Agenda dos Oceanos”. “Desde a sua elaboração, a UE está empenhada em assegurar uma gestão dos oceanos segura, limpa, saudável e sustentável.  A Agenda dos Oceanos se baseia em ações que permitam responder aos grandes desafios de hoje nas áreas da proteção oceânica”, diz.

 

 

Continuação

 

No decorrer do evento, que segue até a quinta-feira (17), haverá dois painéis. O 1° painel chama-se “Ligações entre ODS 14 (Oceanos) e ODS 6 (água potável e saneamento): comunidades de água doce e água salgada trabalhando em conjunto”.  O 2º painel, em formato on-line, chama-se “A abordagem All-Atlantic e a Amazônia Azul”, com um leque expressivo de especialistas brasileiros e portugueses envolvidos na All-Atlantic Ocean Research Allliance, que promove o conhecimento científico e a capacidade de pesquisa em toda a bacia do Atlântico, incluindo pesquisa polar.

Escritório de Assuntos Internacionais - Governo do Distrito Federal

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